O pedido do paciente e o papel do psicólogo

O que o/a leva a procurar ajuda junto de um psicólogo?

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O recurso a uma consulta de psicologia corresponde a um pedido de ajuda que pode ser motivado por circunstâncias diversas. Pode ser um pedido para que se faça uma apreciação psicológica de modo a saber se existe algum problema “psi”, seja do próprio, de um filho, de um pai, irmão, ou outro elemento familiar. Pode ser motivado por alguma circunstância de vida pessoal, com a qual está a ser difícil lidar. Pode mesmo ser o desejo de transformação pessoal do modo de estar e funcionar na vida. São alguns dos motivos ou problemas apresentados numa primeira consulta, entre outros possíveis.
É papel do psicólogo utilizar os seus recursos teóricos e práticos de modo a ajudar quem o procura a clarificar e minimizar as dúvidas ou problemas que originaram o recurso à especialidade.
A clarificação tem a ver com a identificação do problema ou diagnóstico para cujo objectivo poderão ser utilizadas entrevistas e, nalguns casos, também testes psicológicos.
A minimização ou resolução de um problema poderá ser feita de formas diversas, dependendo de alguns factores. Um deles, o problema específico que motivou o recurso ao técnico. Um outro, os objectivos do paciente (ou cliente, conforme o queiramos nomear) e a personalidade do mesmo. Um terceiro, a identidade profissional do técnico, ou seja, a sua formação teórico-prática de base, os recursos técnicos que utiliza, e o seu estilo de trabalho. Dentro deste último factor temos psicólogos cuja orientação teórica poderá ser fundamentalmente cognitivo-comportamental, sistémica, existencial, ou psicanalítica, o que não impede que cada profissional utilize informação de outras áreas teóricas que se apresentem como úteis para determinada situação clínica.
Estando o trabalho direccionado para o tratamento do problema, estamos perante uma intervenção terapêutica cujos objectivos e procedimentos dependerão da combinação dos três factores acima indicados. Pode ser uma intervenção com características de apoio, pode ser uma forma mais analítica, ou pode ser intermédia. Sendo de apoio, é uma abordagem mais directiva e tem funções educativas. Sendo uma intervenção analítica é pouco directiva e pretende promover a auto-compreensão de forma aprofundada. No caso de ser uma intervenção intermédia no contínuo destes dois extremos, utiliza técnicas exploratórias, de apoio e analíticas. – É de realçar que, muito claramente, esta forma de classificar as intervenções terapêuticas na área da psicologia é altamente simplificada. Além disso, uma abordagem de tratamento não tem de se posicionar obrigatoriamente num ou noutro tipo de abordagem. Isso difere, como referido atrás, da combinação dos factores indicados.
Quem recorre à psicologia em contexto clínico pode fazê-lo na esperança de que a psicologia seja algo de místico que com umas palavras mágicas alterará o seu sentir; pode fazê-lo com o objectivo de se entregar a alguém para que façam algo por si; pode pretender comandar o tratamento, achando uma incompetência tudo aquilo que não lhe agradar; ou então ter a expectativa de trabalhar em conjunto com o técnico para trabalhar em proveito próprio. São muitas as combinações possíveis. De qualquer modo, não desprezando as expectativas do paciente, para além de promover a clarificação de possíveis causas para o problema, é papel do psicólogo promover a autonomia do paciente. O objectivo é que o paciente seja independente do profissional e utilize a informação obtida durante o recurso ao psicólogo, no dia a dia da sua vida tanto no presente como no futuro.
É evidente que quem procura um profissional da psicologia tem as suas próprias estratégias de vida e agarra-se a elas como táticas possíveis que conhece sobejamente. É papel do psicólogo não esquecer isso. Mas não só. É também papel do psicólogo desbloquear alguns sentires e atitudes viciados que tendem a paralisar a criatividade individual. É papel do psicólogo providenciar o paciente de poder para decidir sobre si e tomar rédeas à sua vida, sem precisar de recorrer a comportamentos defensivos cíclicos que, embora protegendo de alguns medos grandes, vão protegendo igualmente de outras oportunidades talvez mais saudáveis de assumir na vida.
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