Autorregulação

O que é? Qual a sua função? Como otimizá-la?

Autorregulação
A capacidade para regular as ações desenvolve-se gradualmente durante a infância e a adolescência (Mueller, 2008).
Mueller (2008) refere que a capacidade de controlar e regular as próprias ações desempenha um papel importante no funcionamento saudável ao nível cognitivo, social e emocional. Por exemplo, a autorregulação é necessária surgem obstáculos às atividades direcionadas para o objectivo e o indivíduo tem que pensar em caminhos alternativos para alcançar o objectivo. A autorregulação é também necessária quando a atenção está focada numa determinada tarefa e é necessário bloquear pensamentos irrelevantes para a tarefa.
Por outro lado, Barkley (1997) definiu autorregulação como uma resposta ou um conjunto de respostas dadas pelo indivíduo, que servem para alterar a probabilidade da resposta subsequente do indivíduo a um acontecimento e, ao fazê-lo, permite alterar a probabilidade de uma consequência posterior relacionada com esse acontecimento.
Baumeister e Vohs (2004) definiram autorregulação como o modo como o indivíduo exerce controlo nas suas respostas de forma a prosseguir com os seus objectivos e viver segundo as suas normas. Por outro lado, apesar de todas as pessoas terem objectivos, apenas algumas conseguem atingi-los com sucesso.
Para McCullough e Boker (2007) a autorregulação é o processo pelo qual um sistema usa a informação sobre o seu estado atual de modo a alterá-lo.
A autorregulação humana efetiva, conceptualizada por Carver e Scheier (1998), requer algumas capacidades:
1. Exige normas e objectivos claros a perseguir ou a preservar, tendo estes que ser organizados de modo a permitir uma gestão eficaz dos conflitos que surgem entre eles (Fitzsimmons & Bargh, 2004);
2. Requer auto-monitorização suficiente para que o indivíduo possa detetar discrepâncias entre o seu comportamento e o seu objectivo;
3. Necessita de motivação suficiente ou força para mudar o seu comportamento;
4. requer mecanismos eficazes para a mudança de comportamento (Schmeichel & Baumeister, 2004).
As teorias sociais cognitivas da autorregulação sugerem interdependência entre o contexto social e a autorregulação do indivíduo. A autorregulação utiliza de modo sistemático estratégias de aprendizagem metacognitivas, motivacionais e comportamentais. Neste sentido, a autorregulação na aprendizagem é um processo ativo e construtivo, onde os que estão a aprender estabelecem objectivos para a sua aprendizagem e depois tentam monitorizar, regular e controlar a sua cognição e comportamento, guiado e constrangido pelos seus objectivos e pelos recursos existentes no ambiente (Pintrich, 2000).
Zimmerman (2000) descreve a autorregulação a nível pessoal, comportamental e ambiental. A autorregulação pessoal envolve o ajustamento dos estados afectivos e cognitivos; o comportamento de autorregulação envolve a auto-observação e o desempenho estrategicamente adoptado; a autorregulação ambiental envolve a observação e o ajustamento às condições ambientais. Estas interações são descritas como ocorrendo dentro de um objectivo estabelecido de autorregulação, monitorização e avaliação, incluindo a premeditação da tarefa, desempenho e autorreflexão. Durante o processo de autorregulação o indivíduo que está a aprender utiliza as condições sociais e outras condições ambientais como recurso para melhorar a premeditação, desempenho e autorreflexão.
As definições de autorregulação supramencionadas têm em comum o facto de referirem que, quando o indivíduo se autorregula, está a ir ao encontro ou a ajustar-se ao seu comportamento para perseguir algum estado ou objectivo desejado (Carver & Scheier, 1998).
A literatura sobre autorregulação indica que o facto do indivíduo saber que está a ser avaliado aumenta a atenção em si mesmo, que por sua vez leva-o a comparar o seu comportamento com as normas (Carver & Scheier, 1998). Neste sentido, exercer a autorregulação num determinado comportamento numa área cria uma força de autorregulação que o indivíduo pode aplicar noutras áreas (Oaten & Cheng, 2006).  
A adolescência é um período de marcada mudança no indivíduo a nível cognitivo, físico, psicológico e social. Estas mudanças requerem adaptações por parte do adolescente ao contexto e vice-versa, sendo este um processo bidirecional de regulação desenvolvimental. Os atributos e os significados através dos quais os adolescentes contribuem para tal regulação são designados por autorregulação (Gestsdottir & Lerner, 2008).
Quando aplicado a crianças mais novas, o termo autorregulação é utilizado para referir várias capacidades, como por exemplo, alternar rapidamente entre tarefas diferentes, focar a atenção ou controlar as emoções (Academic Exchange Quarterly, 2005).
Por seu lado, a autorregulação mede a capacidade dos adolescentes para monitorizar as suas atividades, avaliar os seus desempenhos, motivarem-se e manter a resiliência enquanto vivenciam experiências de desilusão escolares e sociais (Zimmerman & Martinez-Pons, 1990).
Autorregulação contribui para:
1)    Melhor ajustamento psicológico
2)    Melhores relações interpessoais
3)    Saber lidar com as respostas emocionais
4)    Melhor desempenho em tarefas
5)    Menores índices de delinquência
6)    Melhor avaliação da saúde
7)    Melhores comportamentos de saúde
8)    Menos consumo de álcool e drogas
9)    Menor risco sexual
10)    Menor ingestão abusiva de alimentos
11)    Menos compras abusivas
12)     Menor sedentarismo  …
Controlo e regulação emocional são importante para funcionamento saudável emocional, social e cognitivo. Leva o individuo a aproximar-se dos seus objetivos (Carver & Scheier, 1998) e implica haver motivação e competência
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