Como lidar com a ansiedade

Liberte-se desta sensação de mal-estar que, a longo prazo, pode causar infelicidade e depressão

Os sinais de ansiedade podem ser diversos. Alguns são invisíveis, como o aumento na secreção de adrenalina, noradrenalina e cortisol, mas com efeitos bem fáceis de observar, nomeadamente batimentos cardíacos acelerados, aumento da tensão muscular, sudação, tremores e, por vezes, vertigem, mal-estar gerado pela alteração da respiração e apertos ou nós no estômago ou na garganta. No plano psicológico, os sentimentos de medo face a perigos incertos aumentam (pessimismo, imagens de catástrofe) e surgem, muitas vezes, associados a sentimentos de impotência, de incapacidade para enfrentar o que possa vir por aí e de fraqueza pessoal.
A ansiedade é uma expectativa negativa face ao futuro, que implica o receio de acontecimentos e situações que não saibamos ou não possamos enfrentar. Pode tornar-se crónica quando deixa de ser uma resposta momentânea e passageira e aparece de forma recorrente, durante meses, anos e, às vezes, décadas.

A origem do problema

Existem vários fatores que, combinados, podem desencadear estados de ansiedade. Entre eles, estão fatores biológicos (ligados à reação física exagerada ao stress), genéticos e ambientais, que incluem o meio em que se vive, o contexto emocional, as experiências da infância e da adolescência. Vítor Rodrigues, psicólogo, destaca a influência da história de vida e de determinadas características da personalidade.
«Uma pessoa que tem uma história de sucessos, amor e reconhecimento pelos outros provavelmente vai considerar-se apta para enfrentar desafios e dificuldades. Pelo contrário, se o seu passado foi marcado por fracassos e episódios de humilhação e carência, a probabilidade de surgir fragilidade e receio é maior», refere o psicólogo. Por outro lado, «pessoas muito pessimistas, que atribuem a culpa de tudo o que lhes acontece ao exterior e que veem o mundo como um lugar perigoso são mais propensas a desenvolver ansiedade», indica ainda o especialista.

Como se trata

«A ansiedade prolongada leva ao desgaste físico e emocional, diminui as defesas imunitárias e, além de estar associada à infelicidade e à depressão, está também associada a uma perspetiva de vida dolorosa, negativamente imprevisível e ameaçadora que pode tornar-se crónica», alerta o psicólogo Vítor Rodrigues.
Felizmente, existem técnicas que podem ajudar a compreender e a gerir melhor a ansiedade.
As técnicas de relaxamento (meditação e yoga), as técnicas respiratórias (respirar profunda e pausadamente) e o simples exercício físico podem ser suficientes para acalmar a fisiologia nervosa. Em alguns casos, pode haver a necessidade de recorrer a medicação, nomeadamente a ansiolíticos que «obrigam, digamos assim, o organismo a produzir a calma fisiológica necessária para pensar e sentir melhor», explica o especialista.
Durante o processo, o psicólogo tem um papel fundamental. «Por um lado, ajuda a identificar as situações que geram ansiedade e os sentimentos e pensamentos subjacentes. Por outro, pode ajudar no treino das técnicas anti-ansiedade», refere Vítor Rodrigues, acrescentando ainda que «a psicoterapia pode mesmo ajudar a dar novos significados ao passado, mais compatíveis com o bem-estar».

Exemplo:

O que deve fazer quando começa a sentir ansiedade: Respire fundo várias vezes, sente-se, relaxe e pense que, quanto maior for a sua calma e clareza mental, maior será a probabilidade de saber gerir a situação e encontrar soluções criativas para a situação que gerou ansiedade.

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